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  • Ricardo Batistic

Tratamento de efluentes: como funciona uma estação de tratamento de esgoto compacta

Atualizado: Abr 8

Possuir uma estação de tratamento de efluentes e gerar água de reuso pode ser um passo essencial para economizar no consumo e na conta de água e tornar a gestão hídrica mais sustentável. Saiba como funciona uma ETE compacta e por que você deve ter uma

A maioria das empresas e indústrias utiliza água em diversos processos produtivos, desde a lavagem de pisos até refrigeração, geração de vapor, higienização e na própria produção de produtos, por exemplo.


Depois de utilizada para diferentes fins, toda essa água e as substâncias que são arrastadas por ela se combinam e se transformam em um resíduo chamado de efluente.


Entenda que tipos de efluentes existem e como eles podem ser manejados em uma estação de tratamento de esgoto compacta e reaproveitados mais tarde.


Tipos de tratamento de esgoto


Os efluentes produzidos por empresas pertencem, geralmente, a uma de duas categorias principais: sanitários (também chamado de domésticos) ou industriais.


Enquanto o efluente doméstico é composto principalmente de água (e um pouco de sabão, restos alimentares e fezes), o efluente industrial pode conter metais pesados, óleos, tintas, solventes e outras substâncias consideradas tóxicas e contaminantes.


Isso não significa que todo esgoto produzido por empresas seja industrial. O efluente industrial é somente aquele originário de processos industriais, como a manufatura de estruturas metálicas, processos químicos, produção de alimentos, dentre outros.


Atividades comerciais, escritórios e fábricas também produzem esgoto em seus sanitários, refeitórios e vestiários.


Por lei, as indústrias precisam se responsabilizar pelos efluentes que geram. Seu esgoto não pode ser despejado no meio ambiente sem tratamento, e os resíduos industriais também não podem ser jogados na rede pública sem manejo adequado.


Enquanto o esgoto industrial pode exigir um tratamento especial off site, o esgoto sanitário pode ser 100% tratado in site e gerar água de reuso.



O reaproveitamento de águas cinzas, sobretudo provenientes de pias, por exemplo, pode ser destinado à lavagem de chão, resfriamento, irrigação, paisagismo etc.


Estação de tratamento de efluentes (ETE)


As estações de tratamento de esgoto (ETE) são um passo importante para uma gestão hídrica eficiente, uma vez que ajudam os empreendimentos a economizar bastante em diversos processos que utilizam água não potável.


Por exemplo, caso 20 ou 30% da água utilizada em sua empresa venha de processos como lavagem, irrigação e outros, uma ETE compacta que trate efluentes sanitários pode ser capaz de suprir 100% dessa demanda.


É importante lembrar que, na hora de tratar os resíduos, é preciso separar as coisas.


Estações de tratamento de esgoto domésticas não são preparadas para tratar as diversas substâncias geradas no processo industrial.


Elas utilizam principalmente processos biológicos para a degradação da matéria orgânica, enquanto o esgoto industrial frequentemente precisa de processos físico-químicos adicionais para atingir as eficiências de tratamento requeridas pelas leis, bem como para conseguir degradar substâncias mais complexas presentes.


De qualquer forma, empresas e grandes consumidores de água podem se beneficiar muito de ETEs compactas que tratem seu esgoto sanitário, já que parte da água da empresa será reutilizada e menos água nova terá de entrar no ciclo.


ETE compacta: por que ter uma?


As ETEs compactas têm como objetivo não só tratar os efluentes gerados, como também possibilitar seu reuso.


Outro benefício é seu tamanho e dimensão reduzidos em relação aos padrões do mercado, sem perder eficiência.


Por fim, tratar o esgoto sanitário no local em que ele é produzido é vantajoso financeiramente. A economia não é só na conta de água, devido ao reaproveitamento, mas também no consumo, uma vez que as ETEs tornam os processos mais eficientes, sem desperdício.


Tudo isso torna a estação de tratamento de esgoto compacta uma excelente opção para hotéis, shoppings, hospitais, empresas e indústrias no geral.


Como funciona o tratamento biológico de efluentes?


De forma geral, o tratamento de efluentes biológicos é feito em três fases: concentração dos poluentes a serem eliminados, retirada dessa poluição por métodos diversos e recuperação de um produto razoável, no caso, água limpa reutilizável e resíduos sólidos (lodo) aproveitáveis, por exemplo, como matéria-prima para outros processos.


Geralmente, o tratamento primário do esgoto sanitário envolve grades e decantadores, processos de separação exclusivamente física, a fim de remover resíduos sólidos maiores e promover a sedimentação de partículas em suspensão no efluente.


Já o tratamento secundário envolve a degradação biológica de compostos suspensos no efluente a fim de reduzir o nível de poluição por matéria orgânica.


Os tratamentos primário e secundário podem ser suficientes para remover todos os contaminantes nos níveis exigidos pelos órgãos ambientais e devem ser adequadamente projetados para atingir o seu objetivo.


Caso não sejam, no entanto, utiliza-se o tratamento terciário, que normalmente envolve remoção de nitrogênio através do processo de lodos ativados e/ou remoção de fósforo através de tratamento químico.


Este tipo de tratamento também pode incrementar a eficiência da remoção da matéria orgânica dos processos anteriores. Pode haver ainda a etapa de polimento, feita em lagoas específicas para melhorar ainda mais o processo.


Por último, antes do efluente ser reutilizado, é necessário fazer sua desinfecção. Nesta etapa, é comum a utilização de compostos de cloro, ozônio ou radiação ultravioleta, que conseguem eliminar bactérias e microrganismos que podem causar doenças.


Tecnologias disponíveis: como escolher um método para sua ETE


A escolha do método ideal para sua ETE dependerá de vários fatores, tais como:


● nível de eficiência de tratamento desejado (depende do efluente inicial e a qualidade esperada para o efluente tratado);

● intensidade da rotina operacional (controle diário, semanal, mensal);

● consumo energético;

● custo operacional;

● sensibilidade a falhas operacionais;

● confiabilidade do processo para atender suas demandas (desde legislativas até de reuso);

● impacto ambiental.


Outros fatores a se ponderar antes de escolher a ETE ideal para a sua situação seriam a estética, apropriação da comunidade ao redor de onde a ETE será instalada, percepção do usuário sobre ela, geração de odores, proliferação de vetores, ruídos da operação etc.


Alguns dos métodos mais comuns para o tratamento biológico de efluentes sanitários em ETEs compactas são:


Lodos ativados


Essa tecnologia envolve tanques de aeração ou reatores. Por terem altas concentrações de oxigênio, eles aumentam a eficiência do tratamento promovido pelas bactérias e tanques de decantação e recirculação de lodo, para que o efluente novo seja misturado com comunidades de bactérias já maduras e produtivas, elevando ainda mais a remoção de matéria orgânica no processo.


Primeiro, o esgoto passa pelo reator aerado para a remoção da matéria orgânica. Depois, segue para o decantador para sedimentação dos sólidos. O lodo se adensa e fica depositado no fundo do decantador.


Esse lodo acumulado então é bombeado para o reator aerado para que sua população de bactérias ainda ativas melhore o tratamento do reator. É esse processo de recirculação o responsável pela grande eficiência deste sistema.


A água que sai do decantador (pela parte de cima, sem o lodo), pode ainda passar por um segundo decantador, para aumentar ainda mais a remoção de partículas em suspensão. Esse lodo secundário também pode ser reintroduzido no reator.


Além de parte da matéria orgânica de carbono presente no efluente, a tecnologia de lodos ativados pode remover nitrogênio e fósforo.


As principais vantagens desta tecnologia são grande capacidade de tratamento, baixo custo operacional e ausência de odores. Algumas desvantagens são: a remoção de coliformes é geralmente baixa, e o consumo de energia elétrica é alto devido ao grau de mecanização (bombeamento de ar ou agitadores de água para promover a aeração do efluente e bombeamento do lodo).


Filtros biológicos


No filtro biológico, o efluente é lançado sobre um filtro (que pode ser feito de materiais diferentes, como brita, pedras maiores, mídias plásticas) para formar uma película de bactérias na superfície desse material, película essa que é chamada de biofilme, capaz de resistir a condições de operações mais irregulares que as outras aqui apresentadas.


O efluente é lançado na parte superior do filtro e, à medida que ele passa pelo material, forma-se a película de bactérias.


Quanto mais desenvolvido for o biofilme de um filtro biológico, maior será a quantidade absorvida de matéria orgânica enquanto o líquido lentamente desce até o fundo, onde sai já tratado, ainda que com eficiências não tão altas.


Pode-se recircular o mesmo efluente pelo filtro para obter melhores resultados, ou passar por múltiplos filtros para obter o mesmo efeito.


MBR e MBBR


O MBR (“Membrane Bio Reactor”) é considerado um dos sistemas mais avançados de tratamento de efluentes.


A tecnologia consiste na utilização de membranas de ultrafiltração em conjunto com sistemas de lodos ativados.


A membrana funciona como um filtro que deixa passar somente água, alguns íons e moléculas de baixo peso molecular, barrando sólidos e bactérias por ter poros muito pequenos. A desvantagem é que para forçar a água pelos poros, é necessária uma pressão muito alta, o que eleva os custos energéticos do sistema, que já é caro também de instalar.


Suas vantagens principais são área reduzida de tratamento, sem necessidade de decantador, e produção de água de reuso de excelente qualidade, além de menor volume de lodo gerado.


Há também o sistema MBBR (“Moving Bed Bio-Reactor”), que acrescenta biomidias (materiais flutuantes onde o biofilme cresce) ao processo.


Isso permite uma maior população de microrganismos em um espaço menor, já que as mídias permitem grandes áreas para que o biofilme se instale no mesmo volume, gerando maiores eficiências de remoção de matéria orgânica, além de também haver injeção de ar para fazer com que a mistura do efluente no reator seja completa e aumente a velocidade de degradação aeróbica (que usa oxigênio, processo mais rápido do que o anaeróbico, que é a degradação feita por bactérias que não usam oxigênio, muito mais lenta).


Biomassa aeróbica granular (Nereda)


O processo de biomassa aeróbica granular é uma tecnologia desenvolvida na Holanda e patenteada como Nereda.


Ao contrário de processos convencionais, nos quais a biomassa encarregada pelo tratamento do esgoto se estrutura em flocos, com a tecnologia Nereda ela se organiza em grânulos, com uma velocidade de sedimentação muito maior.


Além disso, não há necessidade de produtos químicos e unidades de decantação.


Outra vantagem é que a tecnologia serve para remoção de matéria orgânica, fósforo e nitrogênio, ou seja, das exigências de tratamento secundário e terciário.


Métodos como MBR e Nereda são extremamente modernos e otimizam o tratamento do esgoto quando há pouca disponibilidade de espaço.


Por que devo me preocupar com o tratamento do esgoto?


No Brasil, infelizmente, grande parte do esgoto não é manejada corretamente. Esgoto coletado não é esgoto tratado, muito menos devidamente tratado.


O despejo crescente e inadequado de resíduos tem se tornado um problema ambiental e de saúde grave. Além dos riscos ao meio ambiente, como desequilíbrio nos ecossistemas aquáticos e poluição atmosférica por meio de emissão de gases tóxicos, há o perigo de transmissão de doenças.


Hoje sabemos que preservação ambiental e controle sanitário não são moda, e sim uma questão de sobrevivência e eficiência, além de uma fonte de reaproveitamento de recursos que podem gerar economia.


De sustentabilidade à economia circular, precisamos gerir nossa água e esgoto da forma mais adequada e eficaz possível, reutilizando e devolvendo recursos naturais essenciais com consciência e impacto positivo.


Gostaria que sua empresa tivesse uma ETE ou um bom plano de destinação de efluentes, com tratamento eficaz e reuso? Entre em contato conosco! A equipe da NeoWater está preparada para te ajudar.


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