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Desafios e oportunidades no uso das águas subterrâneas: relatório da ONU

Atualizado: 27 de abr.

O novo relatório mundial da ONU-Água aponta o potencial das águas subterrâneas para incentivar o desenvolvimento econômico e combater a falta de água. Confira as principais oportunidades e desafios envolvidos


Águas subterrâneas saindo do solo e caminhando em direção ao crescimento socioeconômico da sociedade

A ONU lançou uma nova edição do seu Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento da Água (WWDR, do inglês “The United Nations World Water Development Report”) na abertura do 9º Fórum Mundial da Água em Dakar, no Senegal, na última segunda-feira (21).


O tema deste ano dá destaque para o potencial das águas subterrâneas no atual contexto de escassez hídrica e climas extremos.


Estima-se que 99% da água doce do mundo se encontra no subsolo. De acordo com o relatório, essa reserva subterrânea pode ter um papel fundamental na segurança alimentar e hídrica, na luta contra a pobreza, na criação de empregos e na resiliência das sociedades e economias às mudanças climáticas.


Saiba o que são as águas subterrâneas, como a reserva do Brasil é distribuída e quais são alguns dos maiores desafios e oportunidades na gestão e governança desse recurso natural:


O que são as águas subterrâneas?


Água subterrânea é toda a água que ocorre abaixo da superfície da Terra. Ela pode ser armazenada em fraturas, fissuras e poros de rochas compactas ou sedimentares.


Além de fazer parte do ciclo de precipitação, as águas subterrâneas desempenham uma função essencial na manutenção da umidade do solo e do fluxo de rios e lagos.


Segundo o novo relatório da ONU, intitulado “Tornando visível o invisível”, o volume global de água doce líquida é estimado em 10,6 milhões de km³. Cerca de 99% dessa quantidade consiste em águas subterrâneas – anteriormente, essa estimativa era de 97%.


Água subterrânea no Brasil


O Brasil é privilegiado: possui os dois maiores aquíferos do mundo, o Amazonas (162,5 mil km³ de água armazenada) e o Guarani (37 mil km³).


A reserva subterrânea brasileira total é estimada em cerca de 112 mil km³ de água.


Infelizmente, essa abundância não é sempre acessível através da perfuração, uma vez que grande parte da água se encontra em profundidades inalcançáveis. Calcula-se que somente um sexto da reserva mundial fique a menos de 4 mil metros de profundidade.


Captação de água subterrânea no mundo


A água subterrânea fornece aproximadamente 25% de toda a água doce captada na Terra, embora sua participação no consumo seja muito maior do que isso.


De acordo com a ONU, a Ásia tem a maior participação na captação global (64,5%), seguida da América do Norte (15,5%), Europa (7,1%), África (6,7%), América do Sul (5,4%) e Austrália e Oceania (0,7%).


O relatório aponta ainda que, para os países que dependem de águas subterrâneas, cerca de metade da captação é usada para irrigação, um terço para uso doméstico e o restante para uso industrial.


As estatísticas da indústria são notavelmente escassas. Estima-se que os setores da indústria e de energia respondam por 19% das captações globais de água para abastecimento próprio, incluindo a água subterrânea. Claro que as diferenças geográficas se mantêm, com a captação industrial variando de 5% na África até 57% na Europa.



Dados limitados coletados pelo CDP (antigo “Carbon Disclosure Project”) em 2020 indicam que, de 1.375 empresas de manufatura no mundo todo, mais da metade (54%) considera as águas subterrâneas relevantes para suas operações diretas.


É importante notar que o bombeamento elétrico de água subterrânea consome cerca de sete vezes mais energia do que a captação de águas superficiais, se não levarmos em conta grandes distâncias - isso porque, se a captação ocorrer a uma grande distância de onde é bombeada, essa vantagem se perde. Isso acontece, por exemplo, em uma cidade como São Paulo, que capta água superficial há mais de 200 km.


Segundo a ONU, a captação de águas subterrâneas consome aproximadamente 108 TWh por ano, o que representa cerca de 0,5% do consumo global de eletricidade. Alternativas de bombeamento solar, no entanto, tem se tornado mais comuns.



O potencial das águas subterrâneas


Uma das vantagens das águas subterrâneas é que sua qualidade é geralmente boa, o que significa que elas podem ser utilizadas de forma segura e acessível sem a necessidade de níveis avançados de tratamento.


Além disso, a água subterrânea é muitas vezes a maneira mais econômica de fornecer abastecimento a regiões rurais.


Acredita-se que 4 bilhões de pessoas vivam em áreas que sofrem de grave escassez de água pelo menos um mês por ano. Um uso mais amplo e eficaz deste recurso poderia ajudar a levar segurança hídrica para muitas áreas, inclusive comunidades com difícil acesso à água.


De forma geral, o relatório aponta que o baixo uso de águas subterrâneas não se deve à falta de água subterrânea renovável, mas sim à falta de investimento em infraestrutura, instituições, profissionais capacitados e conhecimento do recurso.


O desenvolvimento nessa área poderia atuar como um catalisador para o crescimento econômico, aumentando a extensão das áreas irrigadas, melhorando os rendimentos agrícolas e a diversidade de culturas.


Em termos de adaptação às mudanças climáticas, existe uma grande incerteza quanto aos impactos dessas mudanças na recarga das águas subterrâneas.


Um dos maiores benefícios das águas subterrâneas, no entanto, é justamente sua resiliência às variações climáticas. A água subterrânea não depende das chuvas dos últimos 1-2 anos, por exemplo, e sim integra o regime pluvial ao longo de anos e décadas.


A capacidade dos aquíferos de armazenar excessos de chuva também pode ser aproveitada para melhorar a disponibilidade de água doce durante todo o ano, uma vez que esses sistemas sofrem menos perdas por evaporação do que os reservatórios de superfície.


“Melhorar a forma como usamos e gerimos as águas subterrâneas é uma prioridade urgente se quisermos alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030”, disse Gilbert F. Houngbo, presidente da ONU-Água e do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (IFAD).



Principais desafios na gestão das águas subterrâneas


A ONU crê que a dependência das águas subterrâneas só aumentará ao longo do tempo, devido à crescente demanda por todos os setores, bem como a variação nos padrões de chuva.


Por um lado, a boa conservação dessa infraestrutura tem o potencial de elevar o desenvolvimento social e econômico, intensificando a agricultura com irrigação e abastecendo cidades e indústrias.


Por outro, sem uma gestão eficiente, regulação e fiscalização de governos para manter o consumo em uma escala sustentável, esse recurso fica seriamente ameaçado.


Por exemplo, uma vez poluída, é praticamente impossível tratar a água subterrânea. O relatório aponta a mineração e a indústria como dois dos setores que precisam evoluir no tratamento da água utilizada, desde a eficiência e o maior reuso até a diminuição da poluição de rios e lençóis freáticos.


Há ainda o problema de esgotamento devido à intensa extração em alguns locais do mundo. Atualmente, a ONU estima que entre 15% e 25% da água captada do subsolo não está sendo reposta pela natureza.


Existem falhas na proteção e no monitoramento das águas subterrâneas em todo o mundo, o que dá lugar à superexploração e à contaminação, colocando em risco sua sustentabilidade e acesso pelas populações mais vulneráveis, que dependem dessas fontes.


Segundo o relatório da ONU, os problemas mais comuns de qualidade da água subterrânea estão associados a:

  • elementos indesejáveis de origem natural (principalmente arsênio e fluoreto);

  • poluentes causados pela atividade do homem (nitratos, poluentes fecais, pesticidas);

  • vários compostos de origem industrial (subprodutos de mineração, solventes organoclorados, hidrocarbonetos, compostos fenólicos etc.);

  • poluentes emergentes, como cosméticos, antibióticos, hormônios e nanomateriais.

Os nitratos e pesticidas são em grande parte causados pela poluição agrícola, que é generalizada.

Por fim, há um consenso de que o nível atual de investimento nessa área é insuficiente para cumprir as metas dos ODS, em especial o ODS 6, que diz respeito ao uso da água.


As projeções atuais de necessidade de financiamento para que a infraestrutura hídrica seja capaz de alcançar os objetivos variam de US$ 6,7 trilhões até 2030 a US$ 22,6 trilhões até 2050, sendo que os governos provavelmente não dispõem de fundos suficientes para atender esses requisitos.


Oportunidades para a água subterrânea mundial


Existem algumas ações que podemos tomar para aproveitar todo o potencial das águas subterrâneas sem sobrecarregá-las ou polui-las. Algumas das principais, são:


Reunir mais informações


O relatório levanta a questão da falta de dados e de monitoramento sobre as águas subterrâneas.


A aquisição de dados e informações é geralmente de responsabilidade das agências nacionais e regionais de águas subterrâneas, mas pode ser complementada pelo setor privado. Em particular, as indústrias de petróleo, gás e mineração já possuem um grande conhecimento sobre a composição dos domínios mais profundos do subsolo, incluindo os aquíferos.


Investimento em infraestrutura profissional


Em muitos países, a falta geral de profissionais no campo de águas subterrâneas, bem como responsabilidades, financiamento e apoio insuficientes dos departamentos ou agências governamentais dificultam uma gestão eficaz desse recurso.


É de extrema importância que os governos se comprometam a construir, apoiar e manter uma capacidade institucional relacionada às águas subterrâneas.


Fiscalização contra a contaminação


Já explicamos aqui que a contaminação das águas subterrâneas é praticamente irreversível. Logo, deve ser evitada a todo custo.


Atualmente, a fiscalização e a punição de ações poluidoras são desafios pouco abordados. Precisamos de regulamentações ambientais adequadas, especialmente em áreas de recarga de aquíferos.


Os governos precisam assumir seu papel de “guardiões” desse recurso, levando em consideração os aspectos de bem comum, para garantir que o acesso e os benefícios das águas subterrâneas sejam distribuídos de forma igualitária e continuem disponíveis para as gerações futuras.


Recarga gerenciada de aquíferos


A recarga gerenciada de aquíferos é uma intervenção técnica destinada a aproveitar a capacidade total de armazenamento natural desses sistemas.


Por exemplo, as chuvas são eventos sazonais. A quantidade maior de água gerada por esses e outros episódios muitas vezes é perdida. Com a intervenção, tal excesso de água que de outra forma seria perdido é armazenado para uso em um momento posterior.


A aplicação dessa técnica já aumentou dez vezes nos últimos 60 anos, mas tem espaço para crescer muito mais - dos atuais 10 km³ por ano para provavelmente cerca de 100 km³ por ano.


Essa é, provavelmente, uma das mais eficazes intervenções para uma boa gestão de águas subterrâneas, com potencial de contribuir para a solução de crises hídricas.


Captação de águas subterrâneas para a indústria: segurança e sustentabilidade


A captação de águas subterrâneas para uso industrial, como aponta o relatório, tem oportunidades e desafios.


Para aproveitar esse recurso de forma a aumentar a segurança hídrica de seu negócio sem ameaçar sua preservação, é muito importante fazer um projeto técnico adequado e ter o acompanhamento de uma equipe especialista.


A NeoWater, empresa de saneamento com vasto conhecimento em águas subterrâneas, ajuda empreendimentos e indústrias a se tornarem autossuficientes em água com sustentabilidade e economia através, entre outras soluções, da captação subterrânea.


Seus técnicos são responsáveis por toda a implementação, gestão e manutenção do projeto, obedecendo rigorosamente à legislação ambiental e sanitária em todos os níveis (federal, estadual e municipal), além de atender rigidamente as normas técnicas para construção de poços.


Seu sistema exclusivo de abastecimento com captação de águas subterrâneas conta com tratamento personalizado e monitoramento via IoT 24 horas por dia, a fim de acompanhar o consumo de água e sua qualidade, além de evitar desperdícios.


A NeoWater trabalha com diversas soluções em modelos BOT, AOT e O&M, o que garante eficácia e inovação sem nenhum investimento por parte do cliente. Para saber mais sobre estes modelos de negócio, voce pode acessar nosso artigo sobre o assunto.


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